O ano de 2026 marca o início prático da implementação da Reforma Tributária do Consumo no Brasil.




O ano de 2026 marca o início prático da implementação da Reforma Tributária do Consumo no Brasil. 

Embora não seja um ano de arrecadação plena do IBS e da CBS, trata-se de um período obrigatório de adaptação, testes, ajustes de sistemas e preparação das empresas para o novo modelo tributário que será consolidado nos anos seguintes. Ignorar esse processo pode gerar inconsistências históricas, riscos fiscais e aumento da carga tributária no futuro.
 
Janeiro de 2026 ocorre o início oficial da fase de testes da Reforma Tributária, com a implementação do IBS, Imposto sobre Bens e Serviços, e da CBS, Contribuição sobre Bens e Serviços. Também entram em vigor a tributação de lucros e dividendos, instituída pela Lei nº 15.270/2025, o Código de Defesa do Contribuinte, criado pela Lei Complementar nº 225/2026, e a aplicação prática da tributação mínima de 15% para multinacionais. Nesse momento, as empresas devem mapear os impactos da reforma conforme o regime tributário adotado, seja Simples Nacional, Lucro Presumido ou Lucro Real, levantar informações sobre sistemas fiscais, contratos com repasse de tributos, revisar o planejamento de distribuição de lucros e avaliar o enquadramento como bom contribuinte perante a Receita Federal. 

Fevereiro de 2026 ocorre a consolidação das primeiras normas infralegais, como instruções normativas, portarias e atos do Comitê Gestor do IBS. As empresas devem ajustar cadastros fiscais de produtos e serviços, revisar classificações fiscais como NCM, CNAE e serviços, promover treinamentos iniciais para as áreas contábil, fiscal e financeira, além de revisar contratos com fornecedores e clientes, especialmente as cláusulas tributárias. Esse período permite adaptação inicial sem a cobrança plena do IBS e da CBS. 

Março de 2026 iniciam-se os primeiros cruzamentos de dados fiscais em ambiente de teste, juntamente com a expansão dos programas de conformidade tributária. As empresas devem realizar simulações internas para comparar a carga tributária atual com a carga projetada no modelo IBS e CBS, ajustar rotinas de emissão de documentos fiscais, revisar processos de apuração gerencial e reavaliar políticas de preços e margens. Empresas que ignorarem essa fase de testes podem enfrentar autuações futuras por inconsistências históricas. 

Abril de 2026 ocorre a integração gradual de dados federais, estaduais e municipais no âmbito do IBS. Torna-se essencial revisar benefícios fiscais e incentivos regionais, bem como avaliar os impactos da reforma para empresas prestadoras de serviços, comércio e indústria. Ajustes na gestão do fluxo de caixa também passam a ser necessários, sendo este um momento oportuno para reestruturações tributárias lícitas antes do avanço da transição. 

 Maio de 2026 há a consolidação do ambiente nacional de testes do IBS. As empresas devem realizar auditorias internas preventivas, revisando obrigações acessórias e SPEDs, adequar controles internos para futuros créditos tributários e avaliar riscos fiscais acumulados. Empresas com histórico de irregularidades podem passar a ser classificadas como devedores contumazes.

Junho de 2026 são publicados relatórios preliminares de avaliação do modelo IBS e CBS. Esse cenário permite uma revisão estratégica do regime tributário para 2027, ajustes contábeis de meio de exercício e planejamento societário, incluindo reorganizações e criação de holdings, com maior previsibilidade do modelo definitivo. 

Julho de 2026 ocorre a avaliação semestral oficial da fase de testes da Reforma Tributária. As empresas devem promover correções operacionais em sistemas e processos fiscais, revisar contratos de longo prazo e reavaliar preços e margens para adequação ao novo cenário tributário. Em agosto de 2026 são realizados ajustes normativos decorrentes dos testes. As empresas devem promover a adequação final das rotinas fiscais de 2026, intensificar o planejamento tributário preventivo para 2027 e revisar a política de distribuição de lucros. 

Setembro de 2026 ocorre a consolidação do modelo operacional do Comitê Gestor do IBS. Esse período exige uma revisão geral de compliance tributário, simulações definitivas de impacto futuro e organização documental para possíveis fiscalizações. 

Outubro de 2026 há intensificação da fiscalização orientada, baseada em um modelo cooperativo. As empresas devem regularizar pendências fiscais, realizar ajustes finos nas obrigações acessórias e iniciar a preparação para o encerramento do exercício. 

Novembro de 2026 o sistema tributário passa por preparação final para o exercício de 2027. As empresas devem definir o regime tributário do próximo ano, planejar investimentos e revisar estruturas societárias e contratuais.

Dezembro de 2026 ocorre o encerramento do primeiro ano de implementação da Reforma Tributária. As empresas devem realizar o fechamento fiscal e contábil de forma estratégica, avaliar os impactos acumulados ao longo do ano e preparar-se definitivamente para 2027, buscando iniciar o novo exercício com estrutura fiscal ajustada e menor exposição a riscos. 

 Em resumo, 2026 é um ano de adaptação obrigatória e estratégica. Embora não haja arrecadação plena do IBS e da CBS, as empresas que não se prepararem adequadamente poderão enfrentar aumento de carga tributária e riscos fiscais no futuro. Por outro lado, aquelas que se organizarem desde já terão maior segurança, previsibilidade e vantagem competitiva nos próximos anos.